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Out 10

Olá mais uma vez. Peço desculpa pelo atraso do novo capítulo, mas não tenho tido tempo para escrever. No entanto quero assegurar a quem segue a fic, que vou continuar até ao fim. Queria também dizer, a todas as que apanharam a história a meio, que se quiserem ler os primeiros capítulos basta ir até ao final da desta página e clicar em anterior, que todos os outros capítulos mais antigos aparecem. Mais uma vez obrigado pelos comentários e apoio. E agora, finalmente, cá este ele. NOVO CAPÍTULO.

 

Cap. 27 - Encontros e desencontros

 

Retomei as minhas tarefas depois daquela conversa, que apesar de servir para me esclarecer, deixou-me ainda mais confusa e inquieta. A Carolina tinha sido muito simpática em ter vindo falar comigo, mas não me convencera totalmente. Esta preparava-se para sair do restaurante quando, eis que chega a Pat.

"Era só quem me faltava ver agora.", pensei.

- Carol, és tu miúda? O que é que fazes aqui?

- Pat! Que bom te ver garota. Você tá igual.

- Bons genes querida. Anda sentar-te comigo. Quero saber as novidades.

Revirei os olhos e fui para dentro. Toda aquela cena tinha-me deixado enjoada.

- Que cara é essa? O que é que a Carolina te disse para ficares com esse ar.

- Não me disse nada de especial. Só que tinha dormido lá... com ele.

- O QUÊ?

- Shiu! Fala baixo.

- Que história é essa? Então ela dormiu com ele e veio já aqui fazer intrigas contigo?

- Ela não dormiu com ele. Pelo menos, não no sentido figurado. Mas dormiu na casa dele, no quarto dos hóspedes.

- Ah, bom. Mas o que é que eu estou para aqui a dizer. Ah, bom uma ova. Pode não ter dormido com ele, mas que raio se passa com o David para a ter deixado ficar lá em casa?

- Já estava tarde, e eles continuam amigos. Ele não a ia mandar embora àquela hora da noite,

- Pois devia. Essa coisa de ficarem amigos depois de terminarem um namoro, para mim não cola. Eu já namorei várias vezes e nunca fiquei amiga de nenhum. Quanto muito não mudo de passeio quando encaro com os meus ex.

- Inês, eu sei que a tua intenção é boa, mas neste momento não estás a ajudar. Por favor...

Apetecia-me sair dali. A Inês tinha razão e eu sabia-o, por isso ficara tão aborrecida. Por muito que a Carolina fosse simpática, não a queria perto do David, e muito menos a dormir na casa dele. Mesmo que o David me jurasse que não sentia nada por ela. E o facto dele ainda não ter ligado também não estava a ajudar nada.

- Vocês já viram bem quem está lá fora, sentadas numa mesa como se fossem as melhores amigas do mundo? – A Ana acabara de entrar e vira a Pat e a Carol no restaurante.

. Sim, nós sabemos, essa novidade já é de ontem. – Respondeu a Inês. Eu afastei-me. Não queria mais falar sobre o assunto e a Ana viu-o na minha cara. Ela sabia que naquele momento o melhor era deixar-me estar quieta.

- Olha para aquilo. A sala do restaurante virou um ninho de cobras. Até dão arrepios. – Continuou a Inês. Ela não me conhecia tão bem como a Ana, não interpretava certos Sinais que só nós as duas entendíamos.

- Eu vou até lá fora um bocado. – Disse, e desapareci num segundo. Estava prestes a explodir.

Desci até aos balneários femininos. Àquela hora não estava por ali ninguém, e era o sítio ideal para estar em sossego, sem mais conversas. Mas os meus pensamentos falavam mais alto que as palavras que acabara de ouvir, e por muito que o quisesse não conseguia calá-los. Era como se houvesse um vazio que ecoasse por toda a minha mente, e eles acabassem sempre por voltar. Sempre as mesmas frases, os mesmos receios, as mesmas dúvidas. Precisava tanto de ver o David.

- Pensando em mim?

- David! – Reconheceria a voz dele em qualquer lado. Parado em frente á porta, que fechou mal entrou, Olhava-me com aquele sorriso que me confortava e me fazia esquecer de tudo. Corri para ele mal o vi.

- Isso é tudo saudades minhas? Nunca vi você me abraçar desse jeito.

- Não digas nada agora. Deixa-me só ficar assim um bocado.

David abraçou-me mais forte, como se percebesse o desespero na minha voz e nos meus pensamentos. Não sei quanto tempo ficámos assim, mas sei que foi só quando tive certeza de que estava realmente tudo bem, que me consegui afastar dele.

- Desculpa! – Disse finalmente.

- Porquê? Por  gostar de mim? Então você vai ter de me perdoar também.

Sorri. Só então me ocorreu o local onde estávamos.

- David, tu não podes estar aqui. E já agora, como é que sabias onde eu estava?

- Eu tava chegando e vi você entrando aqui. Aí resolvi vir atrás.

- E se estivesse aqui alguém?

- Nessa hora nunca tem ninguém aqui. Esqueceu que esta é minha segunda casa?

Sorri novamente. Ele não fazia ideia do quanto tinha sido oportuno.

- Desculpa não ter ligado. Ontem fiquei até tarde conversando com a Carol, e hoje acordei tarde. A Carol já tinha até saído. É... Ela ficou esta noite lá em casa. Já estava de madrugada e eu ofereci o outro quarto p´ra ela. Você se incomoda?

Se tinha alguma dúvida ainda, desaparecera com o que acabara de ouvir.

- Não. Quer dizer, não posso dizer que gosto muito da parte dela ficar lá em casa, mas...

Fui interrompida pelo beijo quente do David. Envolvi os meus braços á volta do seu pescoço e deixei-me levar por ele. Os seus caracóis acariciavam levemente o meu rosto e eu arrepiei-me. Conseguia sentir o seu cheiro, o seu abraço. Sentia-me segura nos seus braços. O mundo poderia acabar ali para mim, e eu continuaria a sentir-me segura. Capaz de enfrentar qualquer coisa.

- Vou ter que ir.

- Eu também, senão ainda sou despedida por estar ao beijos com o David luiz no balneário feminino.

Rimos os dois. David beijou-me na testa e entrelaçou os seus dedos no meu cabelo.

- Combinei com a Carol de levá-la a visitar uns amigos nossos...

- Ah...

- Eu sei que você tem todas essas dúvidas na sua cabecinha linda, mas não precisa se preocupar. A Carol não vai ficar muito tempo, dois ou três dias e segue p´ra Paris. Ela só está querendo matar saudade.

- Está bem. Mas ela que não passe mais noites lá em casa. E depois disto vais ter de te esforçar muito para me recompensares.

- Prometido!

 

 

  •   

 Depois do encontro meio proibido no balneário feminino, o David e eu ficámos praticamente sem nos ver nos dias que se seguiram. Os horários nunca pareciam combinar e falávamos só por telefone, ou por sinais quando nos cruzávamos no clube. Esta situação não me agradava nada, principalmente porque a Carolina acabou por demorar mais tempo do que eu esperava, acabando também por ficar na casa do David todos esses dias, apesar da sua promessa. Qualquer coisa a ver com uma confusão que houve no hotel onde fez marcação. Afinal a marcação não apareceu, trocaram nomes e ela perdeu o quarto. E o David, como sempre simpático, ofereceu a sua casa pelo tempo que ela precisasse. Confesso que a minha alma andava bastante desinquieta, e só o sorriso ou a voz do David traziam alguma tranquilidade á mesma. Este sabia, apesar de eu negar, que não estava muito satisfeita com o que se estava a passar, e sempre que havia oportunidade, mandava-me pequenos sinais de afecto, como quando encontrei um ramo de flores no Jipe á saída do estádio, ou outra vez que passou por mim e, sem ninguém perceber, fez um sinal em forma de coração perto do seu peito e apontou na minha direcção. Isto era o suficiente para alegrar os meus dias. Mas era o depois, o estar sem ele, o imaginar que estava ela, e não eu, com ele, que me punha em estado de pura ansiedade e medo. Um medo terrível, uma sensação de perder algo que me era mais valioso que a minha própria vida. Um vazio, um autentico abismo dentro do peito, era o que sentia. Não eram só as saudades por não o ver. Eram as incertezas, as inseguranças e um sentimento vindo não sabia de onde de que algo iria correr muito mal. E foi por esta altura que os pesadelos recomeçaram., mas decidi guardá-los para mim. Nem á Ana contei sobre os mesmos, afinal eram só sonhos. Sonhos maus e que me pareciam muito reais, mas mesmo assim fruto da minha mente atormentada. Não valia a pena preocupar ninguém por isso. No entanto, ela reparou que não era só isso que me abalava. A verdade é que estava a sentir-me mais fraca de dia para dia. Fosse pelo facto de andar muito atarefada, ou simplesmente por andar em constante preocupação, isso começava a ressentir-se em mim e no meu corpo já há muito debilitado. E essa parte era impossível de esconder da Ana.

- Eu acho que devias largar a claque, Mel. Tu não andas a dar conta do recado.

- Não. Agora não posso largar a claque.

Estávamos as três em hora de almoço, e tínhamos ido até ao armazém para  conversarmos melhor. O Jorge enviara-me novamente para lá, pois também ele tinha percebido que o meu estado não era dos melhores ultimamente.

- Olha, eu sei que é uma maneira de veres o David, mas por amor de Deus, pensa bem no que estás a fazer. Tu nunca puseste nada á frente da tua saúde, e agora por causa dele estás a comprometer a tua integridade física. Estas cada dia mais debilitada e isso Vê-se...

- Não é só por causa dele, Ana. Sabes bem que por causa do trabalho ando bastante atrasada em algumas actividades na faculdade, e o facto de pertencer à claque dá-me um certo mérito. É bom  para ganhar experiência, para currículo.

- Que se lixe o currículo. Para que te vais servir um pedaço de papel quando estiveres deitada numa cama de hospital sem te mexeres? E o que vais dizer ao David se tiveres uma recaída forte?

- Ainda não lhe contaste? - Perguntou a Inês.

- Ainda não tive tempo. Mal nos temos visto por estes dias.

- Pois, e isso é outra coisa que eu ainda não percebi. Não era suposto a boa da Carolina já ter ido embora para Paris, ou lá para o raio que a parta?

- Era. Mas vai haver qualquer coisa no fim-de-semana que tem a ver com a claque e a Pat convidou-a, por isso ela resolveu ficar mais uns dias. Só parte depois. – Disse, mas sem nenhuma convicção. Já passara mais de uma semana depois da chegada da Carolina, e o que era suposto ser uma curta estadia começava agora a tornar-se num incómodo longo tempo de visita. Parecia haver sempre algo que a demorava por ali.

- A Carol e a Pat? Juntas? Essa é outra que eu não engulo. Nem no tempo em que eles andavam juntos a Carol tinha assim tanta intimidade com a Patrícia, e agora, subitamente são as melhores amigas. Abres os olhos Mel. Passa-se aqui algo de muito errado.

- Eu sei, mas não sou eu que vou dizer á rapariga quando é que ela se tem de ir embora.

- Tu, não. Mas o David sim. Aliás eu não sei o que é que ele está á espera para a pôr a mexer. E por que raio é que ela ainda fica lá em casa? Não há mais hotéis em Lisboa? Ou fomos subitamente invadidos por uma onde de turistas que lotaram tudo?

Nesse momento, o Bruno entrou.

- Mel. Tens a rainha das bruxas a perguntar por ti lá em cima.

- A Pat?

- Sim. Ela diz que precisa falar contigo.

 Olhei para a Ana e para a Inês e encolhi os ombros. Não era dia de treino por isso não fazia a mínima ideia do que ela poderia querer comigo. Pousei o almoço e segui com o Bruno para cima.

- Mel, querida, espero não te ter interrompido o almoço, mas isto é mesmo importante.

- Não... que se passa?

- Sabes que no sábado a claque faz anos. 25 anos de claque feminina no Benfica. Fomos a primeira claque de apoio aos jogadores em campo a ser formada, sabias?

- Não fazia ideia. – Disse, abanando a cabeça.

- Pois é. Lembrei-me que ainda não te tinha dito nada e, que falha a minha se me esquecesse de convidar um membro da claque, principalmente um assim tão importante como tu.

- Hum, hum...

- Então, no sábado vão ser as comemorações no bar habitual, tu já conheces. Aqui o pessoal da "catedral" é que vai estar ao serviço, mas tu como membro integrante da claque estás dispensada, é claro. Vai meter jantar, e podes levar acompanhante se quiseres. Só há uma coisa que é obrigatória. Tens de levar vestido de gala. Aquilo não é nenhuma festa de adolescentes, é mais uma gala de comemoração. Várias figuras do clube vão estar presentes, na sua maioria femininas, mas mesmo assim ilustres. E vamos ter os membros da claque original, entre elas a minha mãe. Aposto que não sabias que ela foi uma das fundadoras, hã?

- Não, não sabia. Mas não sei se posso ir Pat.

- Nem penses em dar-me uma nega. Faz parte das funções de um membro assistir a este tipo de cerimónias.

- Mas eu não tenho nada para vestir.

- Ora Mel. Não acredito que não consigas arranjar um vestido de gala até lá. Olha se precisares, eu empreste-te um. Tenho vários, sabes, dos outros anos.

- Não é preciso, obrigado. Eu... devo conseguir arranjar qualquer coisa.

- Vês, não foi assim tão difícil, pois não? Prometo que não te vais arrepender. Vai ser uma noite memorável. Então vemo-nos no sábado, a partir das sete da noite. Até lá, Melzinha.

 

 

 

 

 

 

 

publicado por nuncamaissaiodaqui às 14:06

comentários:
Aiiii esta Patricia este convite tras agua no bico ...O que é que ela andará a tramar juntamente com a carolina? Meu deus sao cobras mesmo nao podem ver ninguem feliz...Sandra adoro a tua fic pena e a demora para postares mas nós compreendemos pois o tempo não estica,nao é? Continua porque esta mesmo emocionante. PARABENS. Bjs.
Cristina a 11 de Outubro de 2010 às 15:25

Aii, gosto tanto desta fic :)
adorei! *.*
Fabi a 11 de Outubro de 2010 às 15:49

Lindo
Tou muito curiosa para ver o desenrolar da fan fic
Fico há espera d mais

Continua...
branquinhosdoscachosdourados a 11 de Outubro de 2010 às 19:07

Já tava com saudades desta fic. Ainda bem que a tencionas levar até ao fim, é muito chato estarmos entusiasmadas com uma historia e conhecer o seu desfecho.
Parece-me que vai haver surpresas desagradaveis na festa.
Marisa a 12 de Outubro de 2010 às 11:42

Amei o novo capitulo! A Mel vai arrepender-se de ir á festa!
Posta mais!
Catia a 17 de Outubro de 2010 às 17:34

Aquela patricia irrita-me! :P
Adorei o novo capitulo.
Opa da maneira que ela falou se calhar a festa e tipo normal e nao de gala, e ela talvez vai aparecer toda produzida e o resto do pessoal tudo super normalissimos nao?
Ja tou com imaginaçaõ a mais :D
Ou entao vai haver beijinho entre a carolina e o David :D
Quero mais!
Lisa a 17 de Outubro de 2010 às 17:36

Vou postar aqui a fan fic da Sandra. Espero que gostem :)
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Agradecimento
Muito obrigada a todas que comentam a fan fic :D