25
Set 10

Nessa manhã Soraia levantou-se bem cedo para ir para o trabalho. No dia anterior saíra mais cedo por causa de uma festa de aniversário, já marcada há algum tempo. Geralmente nestes eventos todos os empregados da “Catedral da Cerveja” eram chamados ao serviço. Mas não desta vez. A festa era precisamente para uma das raparigas que trabalhava no restaurante e, fora Soraia, Todos os outros haviam sido chamados. Não que ela se incomodasse. Não suportava a Mel e o seu grupinho de amigos. Julgavam-se acima de todos, principalmente ela, Mel Andrade. Desde que chegara, há apenas quatro meses, tinha recebido um tratamento diferente de todos os outros que trabalhavam no restaurante. O facto de estar na faculdade permitia-lhe flexibilidade no horário. Até aí nada a assinalar. Havia mais pessoas a trabalhar por turnos no restaurante. Mas porque é que só a ela era permitido tirar dias e horas quando bem lhe apetecia? E o Serviço? Desde que começara a trabalhar na “ Catedral”, Soraia ainda nunca tinha rodado o serviço. Entrou como empregada de mesa e lá continuava. Quatro meses e Mel já tinha estado em todo o lado. Desde o restaurante ao armazém, passando pelos mini-bares e cozinha. Serviços bem mais leves do que o dela. Só havia uma explicação. Mel era uma dessas raparigas com carinha e jeito de santa, mas por trás enrolava-se com qualquer um que lhe trouxesse vantagens. E com certeza o Jorge fora um dos seus alvos. E depois havia a cena da claque. Ela bem tentara roubar o lugar de chefe de claque à Pat, mas aí a história era diferente. A Pat não se deixava enganar por qualquer uma, e conhecia bem o tipo dela também. Ali a Mel não tinha hipóteses de ganhar. Um sorriso de contentamento brotou dos lábios de Soraia. Pegou na mala e no casaco e saiu de casa para mais um dia de trabalho.

Ao chegar ao restaurante deu de caras com a figura mais improvável de encontrar àquela hora do dia, naquele local.

- Tu aqui por esta hora? – Perguntou a Mel – Não é normal. E onde é que está a tua cara-metade?

Sim, a Mel não dava um passo sem a sua insuportável amiga, Ana.

- Pois hoje vim mais cedo. A Ana ainda não chegou.

- Hum… “ Aqui à gato!”, pensou.

Soraia passou por Mel como quem passa por um edifício sem importância. Tinha muito que fazer e não ia perder tempo com quem não merecia nenhum.

Trocou a roupa pela farda e começou a pôr as mesas para o almoço, sem no entanto deixar de se interrogar o que estaria a Mel ali a fazer. E tinha uma cara de sono impressionante, como quem se acabar de levantar. Ela nunca entrava tão cedo. Tirando o cozinheiro, que tinha de começar a cozinhar, só ela e mais duas pessoas estavam àquela hora no restaurante. “Estranho!”, voltou a pensar.

A manhã passou calma, e só por volta do meio-dia começaram a entrar as primeiras pessoas para o almoço. Soraia andava de mesa em mesa a anotar os pedidos. Quando olhou para a porta de entrada, uma cara amiga acabara de entrar.

- Soraia, linda! O que temos hoje para o almoço? Nada de gorduras, que estou de dieta.

- Espera que eu já vou ter contigo.

Soraia sorriu. Gostava da Patrícia. Tinha classe. Era umas das raparigas mais populares do clube, chefe de claque, rainha de todas as festas e eventos do SLB. E Soraia orgulhava-se de a chamar de amiga.

- Toma, vê aí na ementa. Se quiseres alguma coisa especial também se arranja.

- É por isso que eu gosto de ti. – Respondeu a Patrícia. – E então, novidades? O David continua a vir muito por aqui?

- Às vezes aparece, sim. Ele e o Ruben.

- Ainda não percebi essa de ter começado a vir aqui a toda a hora.

- Sim, andam por aqui umas coisas estranhas ultimamente.

- Coisas estranhas? De que tipo?

- Olha hoje por exemplo. Comecei logo o dia a dar de caras com a sonsa da Mel. Ontem fez anos e o grupo dos indigestos fizeram-lhe uma festa aqui na catedral.

- Oh, a nossa Mel está mais velhinha? Mas isso não tem nada de estranho.

- Essa parte não. O que não é normal é ela estar aqui logo às 8h da manhã. Principalmente depois da sua festa de anos.

- Se calhar andou na farra e não se deitou. Por isso veio logo trabalhar, não sei. A mim só me interessa o meu caracolinhos.

-  Pois, mas o horário dela hoje é só á tarde.

- A Mel?

- Sim. Vês, está cá a Ana, mas ela saiu assim que esta chegou.

Disse Soraia apontando para o balcão onde se encontrava a Ana.

- Então se entra à tarde, o que é que estava por aqui a fazer?

- Não sei, mas achei esquisito.

- Hum… Soraia linda, a partir de agora ficas de olho nela. Tudo o que achares estranho dizes-me. Essa rapariga é demasiado misteriosa para o meu gosto.

- Se queres coisas estranhas eu posso-te contar uma duas coisas sobre ela. Mas agora não, que tenho de ir trabalhar. Já escolheste?

- Sim, traz-me uma salada.

Soraia saiu a ir buscar o pedido da Patrícia, e esta ficou pensativa, intrigada com o que acabara de ouvir.

“ Tenho de descobrir o que se passa por aqui. Demasiadas coincidências”

  •    

Numa tarde de Sexta-feira, o grupo da claque feminina reuniu-se numa esplanada, antes de dar início á sua actividade favorita: Fazer compras. Soraia juntou-se-lhes. Só entrava às seis horas da tarde por causa da festa que o clube ia dar nessa noite. Esse era também o motivo de reunião das raparigas. Iam comprar a roupa para levar, tinham hora marcada no cabeleireiro e na manicure, e à noite iam brilhar. Soraia estava de serviço, mas gostava sempre quando a Patrícia a convidava para estes rituais de beleza. Sentadas numa das mesas, conversavam animadamente antes de saírem para as compras.

- E então Pat, já sabes o que vais levar logo?

- Já tenho uma ideia, sim. Mas não vos vou dizer nada. Não quero ninguém a copiar-me.

- Isso é impossível… Ninguém consegue ficar tão bem como tu.

- Oh, obrigado Soraia. És uma querida. Eu hoje tenho os meus planos.

- Hum… E que planos são esses? Ou também não podemos saber.

- Hoje o David não me escapa. Vou estar linda e maravilhosa e quero ver se alguém vai conseguir resistir-me.

- Então é melhor irmos, que eu também tenho hora no cabeleireiro. – Disse uma das raparigas.

E saíram todas animadas.

  •  

Ao início da noite, os primeiros convidados começaram a entrar. Cá fora uma multidão de fãs, fotógrafos e repórteres aguardava na esperança de conseguirem algo dos seus ídolos. Um autografo, uma foto, uma declaração…

Soraia estava no seu posto, de bandeja na mão, servia todos os que iam aparecendo. Era essa a sua função essa noite. Circular com as entradas e bebidas, anotar pedidos e voltar a servir. Não tinha ficado atrás de um dos balcões espalhados pelo espaço. Não! Isso era para as sonsas como a Mel.

Não tardou a encher o Bar e a música começou a animar. Patrícia e as suas amigas de claque não tardaram a aparecer, e esta dirigiu-se a Soraia:

- Soraia, Não viste o David por aí? Pensava fazer uma entrada em grande, atrasada, mas parece que ele se atrasou mais do que eu.

- Não Patrícia, ainda não o vi… Espera. Não é ele ali ao balcão, no bar?

- É ele sim. Aquela silhueta é inconfundível. Que homem, Meu Deus. De repente até fiquei com calor.

- Olha, parece que vai sentar-se numa daquelas mesas.

- Óptimo. Nós também vamos.

E dirige-se ao local onde David e os seus amigos se encontram.

-Olá meninos. Já pensava que não vinham, estavam cansados da viagem.

- Olá Pat. E nós lá íamos perder um evento destes? – Brinca o Ruben.

- Olá David. Vi o jogo, tu estiveste impecável.

E enquanto falava, tentava aproximar-se o máximo dele.

-É… Obrigado.

- Então, as verdades têm de ser ditas. E a verdade é que estás cada vez melhor.

Patrícia sorveu pela palhinha a sua bebida enquanto encarava David de frente. Este desviou o olhar, um pouco corado.

“Podes fugir, mas não vais conseguir escapar”, pensou.

David e Ruben continuavam a animar a mesa onde se encontravam. Este tentava a todo o custo evitar Pat, que continuava a beber e a insinuar-se cada vez mais a ele. Patrícia reparou que este não tirava os olhos do relógio.

- Tens algum compromisso?

- Hã? Não, que compromisso, que nada.

- Não paras de olhar para o relógio.

- Estou meio cansado, é isso. Estou querendo que o tempo passe logo, p´ra ir me deitar.

- Deitar é bom. Se quiseres companhia…

- Pat, você não acha que já bebeu demais?

- Eu não. Ainda só bebi… Não sei o que bebi, mas não foi muito.

David dá meia volta e encara Patrícia de frente.

- Pois eu acho que você já bebeu demais sim. É melhor parar p´ra depois não se arrepender.

E dizendo isto, fez um sinal ao Ruben e levantou-se.

- Onde é que ele vai? – Perguntou Patrícia.

- Ele vai ao Wc. E tu vais ficar aí e vamos pedir um café para ti.

Ruben segurou-a e conseguiu que esta não saísse atrás do David. Mas esta seguiu-o com o olhar e viu quando este subiu as escadas que davam acesso à varanda.

- Ficas aqui com as tuas amigas e eu vou buscar-te um cafezinho bem forte, ok?

Ruben levantou-se e dirigiu-se ao bar. Patrícia aproveitou e foi atrás de David.

“ Era o que faltava, receber ordens do Ruben. O David hoje não me escapa.”

Atravessou o Bar até à outra ponta e subiu por outras escadas, para não correr o risco de ser vista pelo Ruben. Quando chegou lá acima avistou imediatamente David encostado à parede, e mesmo quando se preparava para ir ter com ele ouviu passos e parou. Escondida atrás de uma coluna, Patrícia nem queria acreditar no que os seus olhos viam. À sua frente a poucos metros de distância, David beijava outra rapariga, e não era ela. Quando se separaram, ela pôde ver de quem se tratava e aí sim, ia tendo um ataque cardíaco. A rapariga que David abraçava e beijava com tanto desejo, era nada mais nada menos que a insuportável da Mel. Patrícia estremeceu de fúria. Nunca tivera tanta vontade de matar uma pessoa como a vontade que tinha agora. Foi preciso retirar forças do ar para respirar fundo e manter o sangue frio. Imóvel, tentou ouvir o que diziam.

- Tive tantas saudades. – Dizia Mel.

- Eu também morri de saudades.

-Nunca mais me deixes assim.

- Prometo! Nunca mais vou deixar você por mais de um dia.

Aquelas palavras puseram o sangue de Patrícia a ferver.

“ Que raiva!”. Fechando o punho, inconscientemente deu um murro na coluna onde se encontrava escondida. Este produziu um som seco mas perfeitamente audível.

- Psiu! Não ouviste nada?

- Não.

Patrícia viu que podia ser descoberta e aproveitando o momento seguinte dos dois pombinhos, resolveu voltar para o bar. Antes porém deu um último olhar no casal, que se beijavam novamente. Os olhos encheram-se de lágrimas e sem se aperceber mordeu o lábio até fazer sangue. Depois abriu a porta e saiu.

  •   

Soraia aproveitou alguns minutos e veio cá fora fumar um cigarrito. Acabara de o acender quando reparou num vulto encostado à parede como se lhe faltasse as forças. Aproximando-se para ver melhor, reconheceu a sua amiga Pat, que chorava encolhida a um canto da rua traseira.

- Meu Deus, Pat. O que é que aconteceu?

Esta chorava e soluçava e Soraia não percebia nada do que ela tentava balbuciar.

- Calma amiga. Conta-me o que se passou.

Patrícia olhou-a directamente nos olhos, e a expressão de desespero tinha desaparecido. No seu lugar, uma imagem fria, de ódio puro tomava conta da sua alma.

- Ela paga-mas. Ninguém rouba aquilo que é meu. Eu juro que eu vou acabar com ela.

- Quem, Pat? Estás a falar do quê?

- Da Mel. E tu vais ajudar-me.

 

publicado por acordosteusolhos às 22:51

comentários:
estou a adorar a fanfic :)
o que será que a Pat anda a tramar? :o
continuaaaa :D
beijinho

http://sofiarc.blogspot.com/
sofiarc ॐ a 27 de Setembro de 2010 às 00:11

Adoro a tua fanfic xD

Uma coisa que a distingue das outras, e que a torna mais real é a forma como tu descreves os "momentos ditos mais intímos"...tu descreve-los, não de forma "bregeira", nota-se que a linguagem é cuidada, e não te limitas a dizer, como em outras fanfic's que acompanho..."(...) envolveram-se(...)" ou "(...) fizeram amor (...)"... apesar de ser uma história fictícia, se não descrevesses estes momentos de paixão, de desejo, como os descreves, que são normais entre duas pessoas que se amam, a fanfic não seria tão interessante e real ao mesmo tempo, que é o que não acontece com várias outras fanfic's!

Parabéns, e continua assim!Queremos momentos mais "calientes"!Ah e publica mais!Há muito tempo que não publicas nada!Venho aqui várias vezes ao dia, e não postas nada =S Depois vamos perdendo o interesse, e começando a ler outras!
Anónimo a 27 de Setembro de 2010 às 20:16

Posta mais, pleaseeeeeeeeeeeee =P Nós adoramos a tua fanfic!!
Anónimo a 27 de Setembro de 2010 às 20:17

Concordo =D Posta mais pleaseeeeeeeeeee!

Não me digas que não vais postar mais hoje?!Tens que postar 2/3 loool para nos compensares!Desde o dia 25 que não postas nada!Já está na altura loool
Anónimo a 27 de Setembro de 2010 às 20:20

Vou postar aqui a fan fic da Sandra. Espero que gostem :)
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Agradecimento
Muito obrigada a todas que comentam a fan fic :D