18
Set 10

Acordei com a mão do David a acariciar-me o cabelo. Estava num sono tão pesado que a princípio nem me conseguia lembrar onde estava. Abri os olhos, olhei em volta e num salto quase fiquei sentada.

- Que horas são? – Perguntei meio ensonada.

- Tá tarde. Você dormiu…

- Onde estão os outros?

- Foram embora. Tava todo o mundo cansado.

- Então é melhor eu ir também. Tu precisas de descansar. Devias de me ter acordado.

- Você tava num sono tão tranquilo que ninguém quis te acordar.

Levantei-me e comecei á procura dos sapatos para calçar. Ainda estava meio a dormir, de vez em quando tinha de piscar os olhos para conseguir ver alguma coisa.

- Que é que você tá fazendo?

- Estou á procura dos sapatos. Tinha a certeza de os ter deixado aqui, mas não os encontro. Não estava a querer ir descalça…

- Ir onde?

- Para o meu quarto. Se encontro alguém no caminho, olha a vergonha.

- É… isso vai ser difícil…

- O quê? Encontrar os sapatos… Olha achei.

- Você ir pró quarto.

Endireite-me e olhei-o de frente. Parecia um bocado atrapalhado, e pensei que desde o dia em que nos beijámos pela primeira vez, nunca mais tinha visto essa expressão na sua cara. Já com uma certa desconfiança a crescer em mim, interroguei-o:

- Porquê? – Olhei em volta. – Onde está o Ruben?

- Pois é. Você tava aí dormindo e todo o mundo ficou com pena de te acordar. Aí o Ruben falou que “tudo bem”, ele dormia na sala, mas a Ana disse que se ele quisesse podia ir lá pró seu quarto, sem problema…

Parou de repente e encarou-me. Eu sei que ele esperava que eu dissesse algo, que me manifestasse, mas não conseguia. Não sei se por causa do sono que ainda sentia, se pelo facto de ir passar a noite sozinha com ele. Só sei que não sabia o que dizer ou o que fazer.

- Oh! – Consegui por fim dizer. – Então é melhor tirar os sapatos outra vez.

Sinceramente não me ocorreu mais nada. Esbocei um sorriso e baixei-me para me descalçar. De repente lembrei-me de uma coisa.

- O meu pijama! Não tenho aqui o meu pijama, nem a minha escova de dentes. Como É que eu vou dormir aqui sem as coisas básicas?

- Tudo bem, já vi que você ficou um pouco constrangida. Vem, eu acompanho você até ao seu quarto.

Estendeu-me o braço e esperou que eu lhe desse a minha mão. Na verdade, tinha mais vontade de ficar do que de ir, mas não queria que pensasse que eu era o tipo de rapariga habituada àquele tipo de situações. Hesitei. Não sabia bem o que fazer. Por fim peguei na sua mão e aproximei-me dele. De olhos no chão e muito baixinho disse:

- Se tiveres uma T-shirt que me emprestes para eu dormir… Fica um bocado chato agora ir acordar o Ruben.

Ele sorriu. Olhei para cima e sorri também.

- Fica aqui que eu vou buscar algo pra você dormir.

David voltou num instante com uma T-shirt sua numa mão e uma escova de dentes noutra.

- Toma! A escova é nova, eles costumam ter sempre produtos básicos nestes sítios. Fica á vontade.

Agradeci e ele saiu do quarto. Despi a minha roupa e vesti a T-shirt que me tinha trazido. Cabiam 2 ou 3 de mim lá dentro e em comprimento ficava-me pelos joelhos. Mas com o calor que estava até era bom. Assim ficava mais à vontade. Lavei os dentes e fui até á sala para me despedir dele.

O David estava deitado no sofá a ver televisão. Quando deu por mim já estava do seu lado. Levantou-se e pegou-me na mão. Depois muito carinhosamente baixou-se e beijou-me a testa.

- Boa noite! Durma bem.

Agradeci, mas em vez de me afastar e ir deitar-me fiquei parada diante dele sem me atrever a fazer qualquer movimento. Ele pegou-me no queixo, e com a mesma suavidade beijou-me ao de leve os lábios. Fechei os olhos e deixei-me levar. Nem que eu quisesse iria conseguir resistir muito mais tempo. E a verdade é que não queria. Começámos a beijar-nos cada vez com mais intensidade e num segundo estávamos completamente envolvidos, com os seus braços em volta da minha cintura e eu, em bicos de pés, percorria com as mãos os seus braços musculados. Estava completamente e totalmente apaixonada por ele. Em todos os sentidos. Sentia o seu corpo quente junto ao meu, e a força com que me abraçava era tanta que por momentos pensei sentir o seu coração a bater. Afinal apercebi-me que era o meu que batia assim, á velocidade da luz. De repente, cruzou os braços á minha volta e levantou-me no ar. Eu bem queria ser racional e parar um pouco, mas não conseguia. Deixei-me ir mais uma vez. Os seus lábios ainda nos meus, a força das suas mãos enquanto me seguravam, os seus braços fortes que me apertavam contra o seu corpo, tudo nele me fazia desejá-lo. Levou-me em direcção ao quarto e lá começámos a percorrer o corpo um do outro com os lábios. De repente parou para despir a blusa que tinha, deixando o seu troco bem delineado á mostra. Corei um bocado e ele percebeu, pois deu-me um sorriso. Depois agarrou na T-shirt que eu tinha vestida, e começou a levantá-la. Percebendo a sua intenção pus os braços para cima, facilitando a sua tarefa. Nesse momento fiquei praticamente nua na sua frente. E bastante embaraçada também. Não era a primeira vez que estava com alguém assim. Mas não sei porquê desta vez sentia-me diferente. Não tinha sequer coragem de o encarar nos olhos. Ele, por sua vez, percorria o meu corpo com o olhar atento. Mesmo sem estar a olhá-lo directamente conseguia perceber, sem a menor dúvida, onde estavam pousados os seus olhos. Completamente envergonhada, lá fiz um esforço e levantei a cabeça. Os nossos olhos cruzaram-se e ele acariciou-me a face e depois os cabelos, e foi seguindo até aos meus seios, envolvendo-me mais uma vez nos seus braços.

- Você é linda! – Disse.

Um arrepio de felicidade percorreu-me dos pés á cabeça. Fechei os olhos mais uma vez e  deixei-me levar por ele para um lugar onde nunca tinha estado. Um lugar longe, longe dali, onde só eu e ele existíamos, embalados pelo doce bater das ondas do mar que se ouviam lá fora.

  •      

Aos primeiros raios de Sol que começaram a entrar no quarto, comecei a piscar os olhos e tentei com a mão encontrar a almofada para me proteger da claridade. Tapei a cabeça e tentei voltar a adormecer. Mas não havia volta a dar-lhe. Por mais voltas e voltas que desse à procura da posição ideal, não conseguia deixar-me dormir. Já meio frustrada, atirei a almofada para o lado e abri os olhos. Olhei para o lado e para minha surpresa não encontrei o David. Olhei em volta e encontrei-o sentado no cadeirão situado aos pés da cama.

- Bom dia!

- Bom dia! – Respondi. – O que fazes aí?

- Tou olhando você.

- Olhando p´ra mim?  Isso não se faz. Não se deve ficar a observar as pessoas enquanto elas dormem, senão elas não conseguem descansar.

- Ah, então é por isso que você tá andando ás voltas na cama faz tempo.

- Pensava que eu é que te tinha acordado. Há quanto tempo estás aí?

- Há algum tempo… Desde que você pegou no sono.

- O quê? Não dormiste? Foi por causa de mim? Não me digas que ressonei, ou dei-te com os pés…

Ele começou a rir. Levantou-se da cadeira e veio sentar-se ao meu lado.

- Nada disso. Só perdi o sono, foi isso que aconteceu. Você não teve culpa nenhuma. Você foi perfeita. – E aproximou-se para me beijar.

Eu estava como que hipnotizada por ele, mas ainda consegui reagir a tempo. Num impulso super rápido travei-o com a mão.

- Nada de beijos. Primeiro lavar os dentes.

E preparei-me para saltar da cama. Mas lembrei-me de que estava completamente despida debaixo do lençol. Parei novamente e disse-lhe:

- Eu sei que isto vai parecer um bocado idiota, mas não te importas de te virar de costas, só enquanto eu vou ali e já venho?

Ele riu novamente mas fez o que lhe pedi. Num instante fui até á casa de banho e lavei os dentes e a cara para tirar aquela expressão de sono do rosto. Ajeitei os cabelos com os dedos o melhor que pude e voltei para o quarto. Quando entrei já ele estava deitado na cama. Ao ver-me chegar, enterrou a cara na almofada e disse-me:

- Pode entrar, eu prometo que não vou olhar.

Saí detrás da porta e fui deitar-me ao seu lado. Eu sei que parecia uma estupidez, mas não me sentia á vontade para me andar a passear nua na sua casa, e á sua frente. Aproximei-me dele e pousei a minha cabeça no seu peito. Suavemente ele ia-me fazendo pequenas festas na cabeça e foi assim, naquele ambiente calmo e sereno que me deixei dormir novamente. Com o seu corpo colado ao meu e os nossos cheiros misturados. E desta vez também ele conseguiu dormir.

 

publicado por acordosteusolhos às 22:30

comentários:
Adorei sandra ta lindo.Bjs.
Marta a 18 de Setembro de 2010 às 22:48

Ohh

Finalmente deixaram-se daquela de ser só amigos... e cederam aos encantos um do outro! Lol

Continua estou a "curtir" a história.

catysilva a 18 de Setembro de 2010 às 22:49

Oh, que queridos!
Fabi a 19 de Setembro de 2010 às 00:34

MUITO BOA A FIC MESMO SANDRA CONTINUA TOU A ESPERA DO PROXIMO CAPITULO.BJS.
CRISTINA a 20 de Setembro de 2010 às 12:17

Adorei!
Lindo lindo
Catia a 20 de Setembro de 2010 às 22:37

Adorei
Posta mais please!
Lisa a 20 de Setembro de 2010 às 22:38

Vou postar aqui a fan fic da Sandra. Espero que gostem :)
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Agradecimento
Muito obrigada a todas que comentam a fan fic :D