14
Set 10

A praia onde decorriam os jogos da reunião benfiquista era privada. O Hotel era enorme, de 5 estrelas mais uma, como eu costumava dizer, e para rematar um areal branco e fino seguido de um mar imenso azul. Simplesmente perfeito. Os dirigentes e atletas tinham ficado hospedados na véspera no hotel. Tudo estava impecavelmente organizado. As redes para as partidas de vólei estavam montadas, e ao lado um campo de futebol de praia para os jogadores, é claro. Perto do mar havia canoas e motas de água para quem quisesse andar e competir. E mais acima uma zona de convívio com bar e mesas, palco e pista de dança. Enfim, tudo fora pensado a preceito. Ou não fosse este um evento organizado pelo próprio SLB.

Chegámos cedo, pois ninguém queria perder pitada dos jogos, e o Jorge quase que nos ordenara para estarmos preparados a tempo. Este ano a equipa da “Catedral” iria defrontar… a Claque. Como eu fazia parte de ambas tive de escolher um lado. Escusado será dizer que escolhi jogar com os meus colegas de trabalho. Para além de ter mais confiança com eles, sentia um certo prazer em defrontar a Pat em campo aberto. Infelizmente o meu pé ainda me dava algumas dores de cabeça. Já tinha regressado aos treinos e ensaios, mas de vez em quando ainda me inchava um pouco. Teria de ter muito cuidado se não queria terminar o dia com nova entorse.

- Isto é fantástico! – Dizia a Ana.

- É mesmo. Vê lá se o teu clube dos lagartos organiza coisas destas para o pessoal? Isto é só para quem pode.

-Ah, Ah! Que graça…

- Vamos ter de ficar em biquíni? – Perguntei assombrada, ao ver toda a gente de fatos de banho.

- Meu Deus Mel. Ás vezes consegues ser tão ingénua. Alô! Estamos na praia.

- Sim, mas isto é suposto ser um convívio entre colegas de trabalho.

- E…

- E não me parece bem andar por aí a pavonear-me em biquíni.

- E porquê? Quando vais á praia não te despes?

- Sim, mas é diferente. Aqui todos nos conhecemos, nem que seja só de vista. Não me sinto á vontade de passar pelo jj praticamente despida.

-Aposto que se passasses pelo David já não te importavas tanto.

Fiz-lhe uma careta. Às vezes era melhor nem ligar à Inês. Despi o top que levava mas fiquei com os calções por cima da parte de baixo do biquíni. Assim ficava mais à vontade na altura do jogo.

Apesar de estarmos no fim de Setembro, o dia estava fantástico. A temperatura convidava a um mergulho no mar, mas antes…jogos.

A equipa adversária já estava preparada quando nós chegámos. O Jorge estava na bancada mesmo á frente para poder dar indicações. Não parou quieto um segundo durante o jogo. Nunca o vi tão stressado, nem no restaurante em dias de grandes jantares. Para além de mim, faziam parte da nossa equipa a Inês, a Ana, o Bruno e a Soraia, que a Inês dizia ser a “traidora”. Segundo ela, a Soraia era muito amiga da Pat e só jogava para prejudicar a equipa da “Catedral”. Falhava os serviços de propósito, não apanhava bolas, tudo para que as adversárias ganhassem. Isso ia ser um problema, pois eu pensava ganhar. Tinha feito parte, juntamente com a Ana, da equipa de voleibol da escola secundária, e apesar de já ter sido à uns anos, ainda conseguia dar os meus toques.

Apanhei o cabelo em rabo-de-cavalo, bebi um pouco de água e refresquei-me um pouco com o resto. Estava mesmo muito calor. Olhei para a bancada à procura do David, mas ele não estava. Peguei na bola e preparei-me para servir…

  •   

No final da primeira parte estávamos a perder por 2 pontos. Durante esse tempo pude ver que realmente a Soraia parecia falhar de propósito. Fui ter com o Jorge e pedi-lhe que a substituísse.

- Substituir a Soraia? Como? Ela inscreveu-se para jogar, não posso fazer isso.

- Mas há jogadores suplentes, certo?

- Sim, porque pediram para ficar suplentes.

- Então diga-lhe que a vai substituir por mais alguém que decidiu jogar.

- E se ela perguntar porque a escolhi a ela para sair?

- Diga-lhe a verdade. Que ela não está ali a fazer nada.

O Jorge acatou o meu pedido, e na segunda parte entrou o Guilherme para a substituir. Não era um grande jogador, mas pelo menos não falhava tanto como a sua antecessora.

No último lance, foi a Ana que serviu. A bola passou a rede, as adversárias responderam e eu tentei bater a bola, mas tive medo de magoar o pé novamente e deixei a bola ir. Perdemos no último minuto. Olhei para o Jorge e este baixou a cabeça. Ainda não tinha sido desta. E ainda por cima ia ter de aguentar as gabarolices da Patrícia. Vire-me para a bancada e esqueci tudo, a derrota, a Pat, a desilusão do Jorge. O David estava na bancada. Estivera tão concentrada no jogo que me esqueci de ver se ele tinha ido ver-me jogar. E foi. Ou talvez estivesse a presumir demais, pois a Patrícia dirigiu-se imediatamente a ele de troféu na mão. Dei meia volta e tomei a direcção do mar. Um mergulho vinha mesmo a calhar. Parei de frente para este e uma onda molhou-me os pés. Estremeci com o choque da água fria em contraste com a temperatura do meu corpo. De seguida tive novo estremecimento, mas não de frio.

- Não sabia que você jogava volei tão bem.

O David chegara por trás e agarrara-me pela cintura. Foi quando estremeci novamente. Quando senti o seu toque.

- Não foi assim tão bom, perdemos.

- Mas mereciam ter ganho. Houve quem fizesse batota durante o jogo.

- Tu viste o jogo?

- Claro que vi. Perdi o início por causa do Ruben ali, mas assisti a maior parte dele. Agora é a sua vez de ir assistir o meu.

-Vais jogar?

- Adivinha o quê?

- Hum, não sei… talvez futebol?

O David riu.

- Como adivinhou?

- Jura? Nunca pensei…

- E então vai ver o jogo ou cair na água?

- Posso cair na água e ver o jogo?

- Pode. Mas vê se não se atrasa. Tou precisando de turma de apoio.

E saiu a correr. “Isso não é difícil de arranjar”, pensei.

Dei um mergulho rápido e fui até ao campo ver o jogo. A equipa do David ganhou. Ao menos isso. Mas infelizmente já não consegui falar mais com ele. Confusão a mais, e resolvi voltar para junto dos meus.

  •   

O dia passou a correr e não tardou a hora do jantar. A animar a sala estava uma banda a tocar músicas ao vivo. Covers na sua maioria, mas tocavam muito bem. Cheguei acompanhada pelo resto da minha “trupe”. A maior parte do pessoal já estava sentado, e tivemos alguma dificuldade em encontrar lugares vagos. Não que não os houvesse, mas não dava para ficarmos todos juntos. O Bruno encontrou algum espaço numa mesa, e dirigimo-nos para lá. Ao passarmos porém pela mesa onde estava o David, este puxou-me pelo braço.

- Não vai ficar muito longe não.

- Impossível. A sala não é assim tão grande.

Nesse momento chega a Patrícia.

- Mel, querida. Não estás de serviço?

Olhei-a nos olhos e respondi em tom irónico.

- Não amor. Porquê?

- É que o serviço aqui não é dos melhores e eu preferia ser servida por alguém competente… como tu.

Como eu odiava esta miúda. Deitei um sorriso amarelo e segui com os meus amigos, deixando a insuportável com o meu David.

- David, sê um querido e faz um espacinho para eu me sentar. – Disse ainda, desta vez falando para o David.

- Desculpa Pat, mas o espaço já está reservado.

Levantou-se e fez sinal para que pusessem mais uma cadeira na mesa, bem ao lado da dele. Depois dirigiu-se ao sítio onde eu estava e puxando-me pela mão disse:

- Vem comigo.

Não entendi nada, mas não resisti e segui-o. Ele levou-me de volta á sua mesa e mesmo debaixo do nariz da Pat sentou-me no lugar que há segundos esta tinha cobiçado. Juro que a vi ficar de todas as cores., até que se decidiu a sair de cena.

- Não acredito que fizeste isto.

- Não suporto gente prepotente. – Respondeu.

Olhei-o por alguns instantes. Pela primeira vez na minha vida senti que tinha alguém a proteger-me, a olhar por mim. Sentia-me tão bem por ter uma pessoa como o David a preocupar-se comigo… Confesso que estava um pouco vaidosa, mas nada à vontade por estar sentada na mesa junto com os outros jogadores. A cadeira onde estava sentada encontrava-se entre o David e o Ruben. Á minha frente estavam o Javi Garcia e o Saviola. E eu não percebia patavina de espanhol.

O jantar decorreu normalmente, com conversas sobre futebol e muita brincadeira á mistura. O Ruben e o David juntos eram infalíveis. O que me ri com os dois. Mas apesar do esforço de ambos para me soltar, o David acabou por perceber que algo se passava.

- Que foi? Você mal tocou na comida. Diz aí, o que é que tá rolando?

- Nada. Só não tinha muita fome.

- Você sem fome? Agora tenho certeza que tá se passando alguma coisa. Te conheço um pouquinho. Fala.

- É só que… eu não me sinto muito á vontade aqui.

. Ué, porquê? Alguém aqui te destratou?

- Não, claro que não. Mas eu não pertenço aqui. É como se estivesse a impor a minha presença aqui, e eu não gosto disso.

- Deixa de ser boba. Aqui todo o mundo gosta de você. E depois, eu pensei que você gostasse de ficar perto de mim.

- Ás vezes és tão convencido…

O David riu. Aquele sorriso tinha o poder de me acalmar, de me levar todos os problemas e dúvidas. Não me importava nada de passar o resto da noite a olhar para o sorriso dele. Isso era suficiente para me sentir mais segura. Mas não para ele. Ele percebeu o meu receio e insegurança. Pegou na minha mão por baixo da mesa e entrelaçou os seus dedos nos meus. Senti um arrepio quando a sua mão tocou na minha. E depois fiquei zonza. Nem ele nem eu nos atrevemos a olhar de frente um para o outro. Não demos qualquer sinal. Este era mais um daqueles momentos só nossos. Ultimamente tínhamos partilhado alguns. Pequenos gestos e Sinais que só nós entendíamos. E assim passámos o resto da noite, de mãos dadas debaixo da mesa, sem ninguém perceber. Só quando nos levantámos nos separámos. E que doloroso foi esse momento… O momento em que tive de regressar à terra e ver o meu David afastar-se de mim.

 

publicado por acordosteusolhos às 23:07

comentários:
AI EU ADORO ESTA FIC! QUERO MAIS *-*
Jane a 15 de Setembro de 2010 às 00:25

Esta tao linda. Adoro este suspence entre os dois. Amor correspondido mas ainda não assumido.
Marisa a 15 de Setembro de 2010 às 12:55

QUERO MAIS UM POUQUINHO HOJE SIM? por favorrrrrrrrrr
Jane a 15 de Setembro de 2010 às 19:11

cadê o novo capitulo de hoje?

agora nem um por dia? :'

eu quero! eu quero! eu quero! eu adoro esta fic!
Jane a 15 de Setembro de 2010 às 23:26

Vou postar aqui a fan fic da Sandra. Espero que gostem :)
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Agradecimento
Muito obrigada a todas que comentam a fan fic :D