02
Set 10

Depois da noite do bar as coisas começaram a andar de outra maneira. Fui admitida na claque pela própria D. Marisa, e o único senão era mesmo o de ter de encarar a Pat em dias de treino. Com os treinos da claque a juntar-se às restantes tarefas que já tinha, os meus dias ficaram mais agitados e o tempo que tinha livre passou de pouco a nenhum. Então com o início oficial das aulas na faculdade é que as coisas se complicaram e tinha de ter tudo muito bem organizado por causa do horário apertado. Basicamente os meus dias eram passados da seguinte forma: Levantar antes das 7 da manhã, Tomar pequeno-almoço, aulas na faculdade, apanhar metro para o estádio, Trabalho na “catedral”, novamente aulas ou ensaios, meia hora para jantar qualquer coisa e por vezes tinha ainda trabalhos de grupo. Curiosamente ainda não se tinha abatido sobre mim o cansaço extremo que me levava à cama. Eu até já andava admirada. Sá a Ana não achava muita piada ao meu novo horário, e andava bastante preocupada comigo. Ela, tal como eu, sabia que mais dia menos dia não iria aguentar o ritmo e acabaria por quebrar. Mas eu continuava sem abrandar, pelo menos enquanto tivesse forças para isso…

Era o meu dia de folga do trabalho, e à tarde saí da faculdade e dirigi-me para o Estádio do meu glorioso. De manhã tinha ficado com o jipe mas devido ao horário a Ana precisava dele. E além disso precisava de ir buscar a viola e alguns dossiers que tinha deixado no meu cacifo. Entrei no parque de estacionamento e parei o jipe. Tirei a roupa do trabalho do banco de trás, fechei a porta e tomei a minha direcção. Reparei que o autocarro do Benfica acabara de chegar, mas não parei para ver os jogadores. Até porque nesse dia tinha vestido a minha mini saia e não me sentia bem a passar pela equipa. Apressei  então o passo.

Entretanto, os rapazes começaram a sair do autocarro.

Kardec – Olha lá! Não é a nova miúda da claque?

Fábio Faria – É ela é. Meu, quem a vê na catedral não diz que é a mesma…

Nesse momento saem Ruben e David luiz.

Ruben – Mal chegaram já estão a cortar na casaca de alguém.

Kardec – Não estamos a cortar casaca de ninguém. Estamos a tirar medidas. Olha lá.

E aponta na direcção do Jipe. O Ruben e o David viram-se na direcção do seu braço, e David segue atentamente os meus movimentos enquanto entro no estádio.

David – Você devia era ter vergonha na cara. Deixa a moça lá quieta. Não tá vendo que aquilo tudo não é pró teu bico?

Kardec – Ah não, diz Kardec rindo. – Então é para o teu?

David não lhe respondeu. Não tinha gostado dos comentários do colega, mas também não queria discutir. Pegou no seu saco e seguiu o seu caminho com Ruben ao seu lado.

Entrei no restaurante pela porta da frente, uma vez que estava de folga. Àquela hora ainda estavam algumas pessoas do almoço e por isso Andavam todos ainda numa roda viva. Aproximei-me do balcão e perguntei onde estava a Ana.

- A Ana está lá dentro!

Muito discretamente pousei a viola no chão e segui para a cozinha. Mal entrei ouvi logo A Voz da minha amiga, e não parecia muito satisfeita.

- Então, o que se passa agora?

- É aquela raquítica da Soraia. Deve ter a mania que é boa. É boa m**** é o que ela é.

- Olha, está aqui a chave do jipe. Ficou estacionado no lugar de sempre.

- Vê lá se o queres levar… a que horas sais?

- Ainda não sei, mas não te preocupes. Apanho boleia ou vou de táxi. Tenho de ir. Vou só buscar os dossiers ali ao cacifo e vou-me. Hasta.

- Tchau!

Abri o cacifo, tirei o que me fazia falta levar e fui buscar a viola ao restaurante. Por esta altura já o Bruno estava atrás do balcão.

- Olá, onde estavas escondido que não te vi ­à pouco?

- Estava ali ao canto a arrumar umas coisas, mas eu vi-te. E muito bem…

- Há! Há! Que engraçado que tu és.

- Então hoje estamos de folga não?

- Estamos, estamos cheia de trabalho. E tenho de ir se não quero chegar atrasada. Fui.

- Eu estou para ver quando é que vamos assistir a um concerto teu, pelo menos para os amigos.

Eu ri-me ao mesmo tempo que me virava para trás e ver o Bruno a fazer uma imitação barata de um artista em cima do palco. Ri-me ainda mais ao mesmo tempo que abria a porta e saía da “Catedral”. Com toda esta distracção fui esbarrar de frente com a pessoa que ia a entrar ao mesmo tempo que eu ia a sair. Imediatamente voaram papeis por todos os lados, e eu apressei-me a baixar-me para os apanhar, ao mesmo tempo que pedia desculpa.

- Peço desculpa, estava distraída e não vi. – Disse enquanto apanhava os papéis.

- Tudo bem, sem problema. Eu também devia ter prestado mais atenção. Espera aí que eu ajudo você.

Aquela voz chamou-me a atenção e levantei a cabeça para ver quem era. Ia tendo um ataque cardíaco quando vi o David Luiz de cócoras a ajudar-me a apanhar os papéis.

- Não é preciso fazeres isso. Eu é que fui a culpada, ia a olhar para trás em vez de ver o caminho.

- Sem problema, eu já disse.

Continuámos até ter todos os dossiers organizados outra vez. Meio atrapalhada levantei-me e agradeci.

- Obrigado!

- acho que já está tudo aí. Você é nova aqui, não é?

- Mais ou menos…

- Eu já vi você treinando com a claque e…

- E?

- Bem, você é a garota que saiu correndo do nosso vestiário.

- Há, isso, - Disse eu ficando ainda mais atrapalhada. – Isso foi um terrível engano, eu ainda não conhecia os cantos á casa e…

- Tudo bem, não precisa se explicar. Desculpa se eu falei demais. Você já ´tá indo?

- Sim, tenho de ir. Aulas…

- Você estuda?

- Sim e tenho mesmo de ir, ou vou chegar mesmo atrasada.

- Tá bom então. Não vou te atrapalhar mais.

Esbocei um sorriso para disfarçar o embaraço, acenei com a mão ao de leve e vim-me embora.

- Hey! – Chamou ele, - Qual o teu nome?

Virei-me para o encarar.

- Mel.

- Gosto do seu nome, combina com você. O meu é David.

- Eu sei.

E vire-lhe as costas a rir. Não queria acreditar que acabara de falar com o David Luiz. O “David Luiz”, simplesmente um dos melhores jogadores a jogar em Portugal, e um dos mais giros também. Todas as raparigas andavam loucas atrás deste homem, quantas não dariam para esbarrar com ele tal como me tinha acontecido a mim. E no fim ele ainda me perguntara o nome. Apressei o passo, não só porque estava atrasada, mas porque estava de tal forma agitada com este encontro imediato, que a qualquer momento poderia começar a saltar e a gritar e não queria fazer esse tipo de figuras em frente ao David. Afinal ele era uma pessoa normal, tal como eu. A diferença é que ele vivia num mundo especial, onde muito poucos conseguiam chegar, e eu vivia uma vida normal, a batalhar por algo, como o fazem a grande maioria das pessoas.

 

publicado por acordosteusolhos às 22:09

comentários:
Amei! estou a amar a historia!
tal como esperava esta muito bom :)
mal posso esperar pelo proximo! :)
continua :)
Beatriz a 2 de Setembro de 2010 às 22:24

a historia esta muito boa. Parabens. Espero a continuaçao :D
andreia a 2 de Setembro de 2010 às 23:42

Estou a gostar bastante da história, muito diferente de todas as outras, embora tenha lido no chat do blog da Inês que a tua história é igual a da Pipa não acho nadinha, a única semelhança é mesmo a claque, mas acho normalíssimo que a claque entre nas histórias, afinal tb faz parte da instituição Benfica :)
Gosto pelo facto de não te teres logo esbarrado com o David Luiz no 1º ou 2º capitulo lol .
Estou a ADORAR :)
Liz a 3 de Setembro de 2010 às 00:07

estou a comentar outra vez pra dizer pra nao ligares ao que as outras raparigas dizem no chat porque a tua historia esta muito melhor do que a da pipa! sao completamente diferents! podem ter a claque e o facto de a rapariga ser de fora em comum mas nunca vao ser iguais! a tua é muito mais interessante e a escrita é muito melhor, na minha opinião :)
espero que continues e que nao mudes nada! esta perfeita como esta!
nao lhe ligues :) e se a outra rapariga quiser parar de escrever a dela entao que pare, problema dela :)
Beatriz a 3 de Setembro de 2010 às 00:57

Concordo com a Beatriz, não desistas mesmo, de todo, tu escreves muito bem e com criatividade :) olha troca o nome de claque por cheerleaders assim talvez ela não se importe :) e há lugar para as duas neste universo tão infinito que são os blogues. NÃO DESISTAS JÁ TENS FÃS
Anónimo a 3 de Setembro de 2010 às 01:13

Não desistas és a melhor, adoro a maneira como escreves e a tua personagem é óptima, adoro o facto de ela trabalhar num restaurante. A sério a Pipa deve achar que a ideia dela é brilhante, mas ela que me desculpe não é até porque o Benfica tem uma bela claque o que é normal que as Benfiquistas se lembrem de colocar a claque na história, Faço o mesmo apelo que as meninas em cima, Não desistas por favor... Já sou tua fã ;)))) Bjs Ana Maria *
Ana Maria a 3 de Setembro de 2010 às 01:33

Com estes comentários ainda pensas em parar????
Não desistas...
Anónimo a 3 de Setembro de 2010 às 01:37

Não desistas, não desistas, não desistas. Fico tristinha se desistires :(( mesmo mesmo :((( Já estou viciada.
És boa a escrever. Ainda não li o outra fic que falam, mas a tua é muito muito fixe e com certeza há protagonismo para as 2 ... Tb vou seguir a outra ;D
Anónimo a 3 de Setembro de 2010 às 02:03

continua com esta historia. Nao ligues as más linguas que andam para ai.Parabens.
a 3 de Setembro de 2010 às 13:21

Por favor, não desistas da fanfic :D está fantásticaa!
eu sigo ambas, a tua e a da pipa, e apesar de terem algumas coisas em comum não são nada iguais!
adoro a maneira como escreves e já andava desesperada por encontrar uma fanfic em que o amor entre as personagens não fosse logo imediato e o relacionamento muito repentino como as outras, adoro o facto de teres explorado mais da história e não teres ido logo directa ao relacionamento :) assim faz parecer mais real!
estou viciada e quero a continuação! =D a sério, não desistas!
Bii a 3 de Setembro de 2010 às 15:49

Vou postar aqui a fan fic da Sandra. Espero que gostem :)
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Agradecimento
Muito obrigada a todas que comentam a fan fic :D