01
Set 10

Levámos alguns dias a habituar-nos ao ritmo da nossa nova rotina. Não só ao trabalho mas também á cidade. Tínhamos chegado á pouco mais de uma semana quando começamos a trabalhar na “Catedral”. Eu fazia um horário por turnos, por causa das aulas da faculdade, enquanto a Ana tinha um horário mais fixo. Apesar de estarmos no Verão eu continuava a ter de ir à faculdade. Como tinha sido transferida tinha de apanhar o ritmo, isto para não falar das aulas de apoio que tinha para não perder a equivalência de outras cadeiras que já trazia do meu antigo curso. Tentava assistir ao máximo que podia e participar em workshops e formações extra curriculares. Tudo para que quando começasse realmente o ano não estivesse tão atrasada em relação aos outros. Tinha ganho uma bolsa de estudo devido ás notas que tirara, e a oportunidade de frequentar a Faculdade de artes e Teatro, a melhor do País na sua área. O meu anterior curso era só teatro e não me permitia explorar todas as minhas capacidades. Principalmente na área da dança e música. Aqui tinha essa e outras oportunidades. Depois, no segundo ano de curso teríamos de escolher uma área específica e segui-la até ao fim. Eu ainda me encontrava muito indecisa sobre o percurso que queria fazer, mas tentava não pensar muito nisso. Não gostava de fazer planos a longo prazo, saiam sempre furados. Por isso tentava aproveitar o máximo de cada dia e o que ele me oferecia.

Estávamos a meio do mês de Julho e a equipa de Futebol do Benfica já tinha regressado do estágio. De vez em quando dávamos de caras com um jogador e eu ficava super empolgada. Mas a Ana fazia questão de me trazer de volta á terra, ou não fosse ela sportinguista. A relação entre ela e a Inês tinha melhorado bastante. Depois daquela primeira impressão menos boa, o contacto diário que cada uma tinha de ter com a outra fez com que descobrissem que tinham bastantes coisas em comum. Agora não era só a Inês que falava pelos cotovelos, a Ana acompanhava-a. Eu também gostava da companhia da Inês. As 3 fartávamos de rir. Ela era a única que sabia na “Catedral” que a Ana não era Benfiquista, apesar de todos os outros já terem começado a desconfiar, pelo não entusiasmo que demonstrava. Ás tantas acabámos, sem nos apercebermos, por formar um grupo. Eu gostava de ouvi-las falar, distraía-me. E embora também participasse, era sempre a mais reservada. De vez em quando o Bruno também entrava no grupo. Ele era realmente um bocado tonto como nos dissera a Inês, mas muito querido. Estava sempre pronto a ajudar-nos quando ainda não sabíamos bem como fazer. E a Inês era quase como a empregada Vip do restaurante. Conhecia toda a gente. Até os jogadores. Inclusive era amiga de longa data do Ruben Amorim. Em crianças tinham sido vizinhos. Por isso não nos admirávamos quando a víamos dirigir a ele com um á vontade de fazer inveja a muita gente. O Sr. Jorge também mostrou ser uma pessoa muito coerente e justa. Tinha um aspecto sério, raramente sorria para nós, mas era extremamente bem educado. Na nossa primeira semana de trabalho passou por nós e perguntou-nos como estavam a correr as coisas. Depois de alguns minutos de conversa pediu-nos que o tratássemos só por Jorge. Não gostava de formalidades e acreditava que para se dar ao respeito não era preciso esse tipo de etiqueta. Apesar de ter um curso de gestão e um mestrado, era uma pessoa humilde que gostava da simplicidade. Estava onde era preciso, e se fosse preciso estar na cozinha ou atrás do balcão, então era lá que ele estava. Eu devia ter adivinhado logo o tipo de pessoa que ele era. Afinal não é toda a gente que contrata uma pessoa com as minhas condições. Ele era o único a quem tinha contado toda a minha história. Ou quase toda. Omiti algumas partes pois não quis alarma-lo. Mas sempre que passava por mim perguntava-me como estava, se me sentia bem. E voltava a lembrar-me que qualquer coisa que eu precisasse, para não hesitar e falar com ele.

Nesse fim de semana ia haver um jogo amigável de pré-época. A equipa adversária seria o Ac Milan e viriam alguns dirigentes de topo assistir ao jogo. Por isso andámos todos um pouco mais atarefados que o normal. Para não me cansar tanto, o Jorge achou melhor eu ficar no armazém a receber os produtos que davam entrada e a organizar as faltas. Depois de tudo conferido deveria informá-lo das faltas e confirmar os abastecedores. Achei que o trabalho no armazém seria o ideal para mim, tanto mais porque estava a maior parte do tempo sozinha e podia ensaiar algumas músicas. Para além dos exames tínhamos várias provas práticas ao longo do ano, e algumas consistiam em estar em palco a actuar para os professores. Isto servia para eles avaliarem a nosso á vontade em cima de um palco, o timbre da nossa voz, postura, etc. Eu também já tinha uma dessas provas marcadas, e aproveitava todos os bocadinhos que tinha para puxar pela voz. Enquanto trabalhava, cantava e assim até o tempo parecia que passava mais depressa. A Ana ficara com o resto do pessoal que se dividia entre o restaurante, a cozinha e os mini-bares espalhados por todo o estádio. De vez em quando aparecia a ir buscar qualquer coisa, e aproveitava para me trazer as novidades do “Mundo Exterior”, como gostava de lhe chamar. À noite, muitas vezes a Inês juntava-se a nós no jantar e punha-nos a par das “cusquices” no mundo dos famosos. Ficámos a saber que alguns jogadores, embora casados ou comprometidos, eram autênticos mulherengos, e não podiam ver um rabo de saia. Afinal eram homens e comuns mortais. A Inês conhecia bem Lisboa, e a noite lisboeta. Andava sempre a chatear-nos para sairmos com ela, que nos levava a ver onde parava a gente gira da cidade. Ela e a Ana saíam de vez em quando, mas eu tinha trabalhos e estudos, e não me podia desviar dos meus objectivos.

Um dia, dessa semana tão agitada, a Inês vem ter comigo ao armazém, bastante agitada:

- Mel! Estás aí? MEL!

- Calma, não precisas gritar, não sou surda. – Disse, saindo detrás de um corredor de estantes.

- Tens que vir comigo agora.

-Porquê? Qual é o Stress?

- Está alguém na “Catedral” á tua procura.

- Quem? – Perguntei admirada.

- Já vais ver. Anda, larga lá essa caixa e vem.

- Mas…

Nem tive tempo de falar mais nada. Ela agarrou-me na mão e puxou-me quase todo o caminho até ao restaurante. Eu, nem sabia o que pensar. Não fazia ideia de quem poderia estar á minha procura, e sinceramente não sei se queria saber.

Entrámos pela porta de serviço, e por esta altura já a Inês me empurrava pelo espaço dentro. Chegámos finalmente ao destino e eu continuava sem perceber nada. Olhei em volta mas não vi ninguém a não ser uma senhora muito bem arranjada sentada do outro lado do balcão. Olhei para a Inês e encolhi os ombros á espera que me dissesse que brincadeira era aquela, mas ela vendo a minha cara de interrogação, adiantou-se.

- Esta é a D. Marisa. Ela pertence a um grupo muito especial do departamento de Marketing. È ela quem está á tua procura.

Continuei na mesma. Não fazia ideia de quem era a D. Marisa, nem o que queria comigo. E de onde raios é que ela me conhecia?

- Como Vai Mel, tudo bem?

“Boa”, pensei, “mais uma brasileira. Não chegavam os jogadores que p´raí andam.”

- Tudo! – Respondi com ar confuso.

- Você deve estar se perguntando de onde eu conheço você, acertei?

- Por acaso… essa pergunta passou-me pela cabeça.

- Pois muito bem. Eu vou directa ao assunto que me trouxe aqui. Ontem quando eu estava chegando, ouvi alguém cantando e me chamou a atenção. Parei para escutar melhor e descobri que a voz vinha do armazém lá de baixo, que pertence a este restaurante. Hoje resolvi ver quem era a pessoa que estava cantando e sua amiga Inês me disse que só podia ser você. É verdade que você tá na Faculdade de artes?

- É.

- E você já escolheu que área vai seguir?

- Ainda não. Eu só estou no primeiro ano.

- Olha Mel, meu tempo é precioso por isso vou deixar meu cartão com você. Esse número aí atrás é o do meu celular pessoal. O departamento onde eu estou fica no último piso. Amanhã eu vou estar todo o dia lá. Me procura, tá? Depois eu explico p´ra  você.

Levantou-se e saiu. E eu fiquei boquiaberta, sem perceber patavina do que se tinha passado.

publicado por acordosteusolhos às 23:43

comentários:
lol
dd a 1 de Setembro de 2010 às 23:48

mais mistério... assim deixas-me anciosa!!!

Mais***



http://fall-for-you23.blogspot.com/
rita (miscarúúú) a 1 de Setembro de 2010 às 23:57

Amei, mesmo! (:
Rita a 2 de Setembro de 2010 às 00:09

Boa tarde,
O blog do David Luiz tem o prazer de convidar os responsáveis por este blog, a ler a mais recente FanFic presente em www.david--luiz.blogspot.com

Deixem a vossa opinião, obrigada!

A gerência:

www.david--luiz.blogspot.com
www.david--luiz.blogspot.com a 2 de Setembro de 2010 às 17:47

Vou postar aqui a fan fic da Sandra. Espero que gostem :)
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Agradecimento
Muito obrigada a todas que comentam a fan fic :D